
A Operação Habeas Votum, deflagrada pela Polícia Federal nessa segunda-feira (28), em Colinas, deixou de ser apenas um caso policial para entrar na disputa política mais rasteira. A investigação apura denúncias gravíssimas de violência sexual, ameaças, coação eleitoral, associação criminosa armada e abuso de autoridade.
A vítima, claro, merece toda solidariedade e o caso precisa ser investigado. Mas uma coisa também precisa ficar clara: não há qualquer informação da Polícia Federal que ligue o governador Carlos Brandão ou Orleans Brandão aos fatos investigados, como alguns perfis e portais de internet ligados a Felipe Camarão, Márcio Jerry, Carlos Lula, Rodrigo Lago e outros tentam a todo o custo fazer parecer que sim.
Chama a atenção a velocidade com que o episódio ganhou repercussão política, sempre tentando, de alguma maneira, fazer alguma ligação covarde entre o governador e Orleans à operação. A lógica parece ser simples: foi em Colinas, tem alguma relação com os Brandão. Mas não é assim que funciona uma investigação policial, que deve ser analisada a partir dos fatos apurados pelas autoridades responsáveis, e não por associações construídas a partir do local onde os acontecimentos ocorreram ou das relações políticas existentes na região.
Segundo a Polícia Federal, a mulher e os investigados apoiam candidaturas diferentes, como acontece em todo o país, e a investigação busca esclarecer se as ameaças e os eventuais crimes teriam relação com divergências eleitorais. A Justiça determinou prisões temporárias, buscas, afastamento cautelar de dois investigados de suas funções públicas e suspensão dos respectivos portes de arma. E em momento algum aparecem os nomes de Carlos Brandão ou Orleans Brandão como investigados. Ainda assim, quase que simultaneamente à operação, o caso já começou a ser explorado politicamente pela oposição e sempre tentando jogar o governador e Orleans no centro de tudo.
Um detalhe que passou a circular nas redes sociais e que ajuda a explicar o ambiente político em torno do episódio: poucos dias antes da operação, a mulher apontada como vítima teria participado de um evento político ligado a Eduardo Braide, em Colinas. Lógico que isso por si só não significa que sua participação política tenha qualquer relação com a violência que ela afirma ter sofrido. Seria irresponsável fazer essa ilação. Mas o fato da vítima e investigados estarem em lados políticos diferentes, como informou a própria PF, mostra que existe um contexto eleitoral no caso e, justamente por isso, é preciso ter cuidado para não transformar uma investigação criminal em uma narrativa eleitoral pronta contra o governador Carlos Brandão e o candidato Orleans Brandão.
O que aconteceu em Colinas acontece diariamente no Brasil todo, principalmente neste momento de polarização política. Também é importante não confundir o contexto eleitoral mencionado pela própria Polícia Federal com uma autorização para transformar a investigação numa acusação irresponsável e infundada. A existência de divergências eleitorais entre vítima e investigados é parte do contexto informado pela PF. E não significa que lideranças políticas estejam relacionadas aos crimes investigados.
Em tempos como estes pessoas rompem amizades e partem para violência, por exemplo. E nem por isso há um responsável direto que seja um agente político. Associar Brandão pelo que houve na cidade dele, dando a impressão de que as possíveis ações, tanto do delegado quanto do investigador/vereador teriam a orientação direta do governador do Estado é de extrema irresponsabilidade. Fica claro que o plano é desestabilizar não somente o governo, mas também a candidatura de Orleans Brandão.
Porque uma coisa é investigar possíveis crimes eleitorais; outra, completamente diferente, e irresponsável, é aproveitar o fato de a cidade ser reduto político do governador para tentar atingir sua família e, principalmente, Orleans Brandão a poucos dias de uma eleição.
A sociedade maranhense tem direito a conhecer os fatos e acompanhar a investigação. A vítima merece proteção e respeito. Os investigados têm direito ao devido processo legal. E qualquer pessoa ou grupo político que não figure na investigação também merece que seu nome não seja associado aos fatos de maneira criminosa sem elementos concretos que sustentem essa relação.
Em período eleitoral, a responsabilidade com a informação deve ser ainda maior. A investigação da Polícia Federal deve continuar livre de interferências políticas, enquanto o debate eleitoral deve permanecer baseado em fatos, propostas e responsabilidades efetivamente demonstradas.
