O Hospital Dr. Odorico Amaral de Mattos, o Hospital da Criança de São Luís, está sendo acompanhado pelo Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) por meio de fiscalizações realizadas ao longo dos últimos anos.

Conforme dados atualizados em 25 de setembro de 2026, cinco demandas fiscalizatórias relacionadas à unidade somam 78 irregularidades identificadas, sendo 52 corrigidas, 20 ainda não corrigidas, duas sem resposta dentro do prazo e quatro canceladas.
Os dados constam no dashboard do Departamento de Fiscalização do CRM-MA e abrangem vistorias realizadas entre abril de 2025 e julho de 2026. O Conselho afirma que o acompanhamento da unidade é anterior à atual repercussão pública envolvendo o hospital.
Entre os principais pontos ainda pendentes estão questões relacionadas à qualificação médica e ao dimensionamento das equipes das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). O próprio levantamento do CRM-MA aponta que esse permanece como o principal eixo das irregularidades que aguardam saneamento.
Na demanda 1159/2026, decorrente de vistoria realizada em 16 de julho de 2026, foram identificadas 41 irregularidades. Deste total, 29 foram corrigidas, sete permanecem sem correção, duas não tiveram resposta no prazo estabelecido e três foram canceladas.
Entre os problemas já corrigidos nessa fiscalização estavam a indisponibilidade ou funcionamento inadequado de equipamentos e insumos de suporte à vida e escalas incompletas de médicos plantonistas, ambos classificados como notificações imediatas.
Também foram solucionadas questões relacionadas ao tempo de permanência de pacientes no pronto-socorro, à organização das equipes médicas, à segurança dos profissionais, à estrutura de atendimento e às condições de privacidade e confidencialidade dos pacientes.
Por outro lado, permanecem pendências envolvendo as UTIs 1, 2 e 3. O levantamento registra, entre outros pontos, problemas relacionados ao número de intensivistas por leitos e à exigência de Registro de Qualificação de Especialista (RQE) para parte dos médicos responsáveis pelo atendimento.
Na UTI 1, por exemplo, ainda consta como não corrigida a situação em que nem todos os médicos plantonistas possuem RQE em Pediatria. Na UTI 2, permanecem pendências relacionadas ao dimensionamento de intensivistas e à qualificação de médicos rotineiros, diaristas e plantonistas. Na UTI 3, também consta uma pendência relacionada à qualificação dos médicos plantonistas.
HISTÓRICO DE FISCALIZAÇÕES
O acompanhamento do hospital pelo CRM-MA envolve diferentes demandas.
Na fiscalização realizada em 24 de abril de 2025, foram apontadas 18 irregularidades. Segundo o painel, 15 foram corrigidas, duas permanecem não corrigidas e uma foi cancelada. Entre as pendências estão questões relacionadas à qualificação dos médicos das UTIs.
Outra vistoria, realizada em 16 de outubro de 2025, identificou 13 irregularidades. Cinco foram corrigidas e oito permanecem sem correção.
As pendências dessa fiscalização estão concentradas nas UTIs e envolvem, principalmente, a qualificação dos profissionais, incluindo a exigência de RQE em Medicina Intensiva Pediátrica e Pediatria.
Já uma fiscalização realizada em 27 de novembro de 2025, após denúncia encaminhada pelo Ministério Público, identificou uma irregularidade relacionada à ausência de berço aquecido de terapia intensiva. O item foi registrado como corrigido em 9 de janeiro de 2026.
Em 20 de maio de 2026, uma nova vistoria identificou cinco irregularidades. Duas foram corrigidas e três permanecem não corrigidas. Entre as pendências estão a qualificação dos médicos da UTI 1 e a ausência de formalização de substituto do diretor técnico nos períodos de impedimento.
PROBLEMAS JÁ SOLUCIONADOS
O dashboard também registra uma série de situações que foram corrigidas ao longo do acompanhamento.
Na vistoria mais recente, por exemplo, foram apontadas questões relacionadas à segurança dos profissionais, armazenamento de medicamentos psicotrópicos, dimensionamento de médicos, qualificação das equipes, escalas de plantonistas, atendimento de urgência e emergência, privacidade dos pacientes, estrutura das enfermarias e funcionamento do centro cirúrgico.
Entre as situações classificadas como notificações imediatas estavam equipamentos e insumos de suporte à vida sem disponibilidade ou funcionamento pleno e escalas incompletas de médicos plantonistas. Os dois itens aparecem atualmente como corrigidos no sistema do Conselho.
Também foram corrigidas situações envolvendo a ausência de desfibrilador com monitor na enfermaria, equipe profissional insuficiente para a capacidade de vagas, anestesista atendendo mais de uma cirurgia simultaneamente e falta de garantia de médico auxiliar cirúrgico quando aplicável.
CONSELHO DIZ QUE CONTINUARÁ ACOMPANHANDO
Em nota oficial, o CRM-MA afirma que mantém interlocução com as diretorias técnica, clínica e administrativa do Hospital da Criança e que continua acompanhando as condições relacionadas ao exercício da medicina e à assistência prestada à população.
Segundo o Conselho, parte dos apontamentos identificados nas fiscalizações já foi solucionada, enquanto outros permanecem sob acompanhamento. A instituição informa ainda que poderá realizar novas fiscalizações sempre que necessário, dentro de suas atribuições legais.
O CRM-MA ressalta que sua atuação é técnica, autônoma, independente e institucional, afirmando que seus relatórios e manifestações não representam apoio ou oposição a gestores, administrações públicas, partidos, candidaturas ou grupos políticos.
O Conselho também alerta que o uso parcial ou descontextualizado das informações não representa seu posicionamento institucional. A instituição afirma que seu compromisso é com os fatos, a legalidade, a ética médica e a segurança dos pacientes.
VEJA OS DADOS COMPLETOS:
http://portaloinformante.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Dashboard_CRM_MA_·_Hospital_da_Crianca_Atualizado_25_09_2026.pdf
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