
Aos 25 anos, Mariana Rolim Moraes tem muitos motivos para celebrar a vida. Após enfrentar um quadro de hepatite fulminante, que evoluiu para uma insuficiência hepática grave, a paciente recebeu um transplante de fígado de emergência no Hospital Dr. Carlos Macieira.
Internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Transplantes, Mariana apresenta boa evolução clínica e permanece sob os cuidados de uma equipe multiprofissional, que atua na recuperação e reabilitação após o procedimento.
Ao contar a experiência, a paciente falou da dificuldade ao enfrentar uma situação tão delicada e a importância de cada avanço no processo de recuperação.
“Meu processo de evolução é contínuo. Eu me sinto cada vez mais preparada e melhor para me expressar e comunicar o que sinto. É uma emoção grandiosa ter passado por todo esse processo, que não é fácil emocionalmente e espiritualmente. Ainda assim, tenho conseguido superar. É grandioso ter essa experiência de recuperação de um processo altamente difícil, de luta pela vida e de conquista por dias melhores. São diversas informações e processos para você, enquanto transplantado, ultrapassar e angariar novos voos, novas perspectivas de vida”, acrescentou.

De acordo com a médica intensivista e coordenadora da UTI de Transplantes do HCM, Caroline Marques, Mariana chegou ao hospital com um quadro progressivo de insuficiência hepática fulminante.
“Era um caso extremamente grave, com risco de óbito. Ela preenchia todos os critérios para o procedimento e, junto às equipes de hepatologia e cirurgia do aparelho digestivo e transplantes, foi incluída na lista como prioridade. Por conta da gravidade, ficou em primeiro lugar na fila do Maranhão”, explicou a médica.
Cerca de 48 horas depois, a paciente foi contemplada com um fígado compatível, considerando critérios como tipo sanguíneo e características antropométricas. A cirurgia de urgência durou aproximadamente oito horas e foi concluída com sucesso, sem intercorrências.
Segundo Caroline Marques, a evolução clínica foi satisfatória e, após 24 horas, foi possível retirar a ventilação mecânica. Desde então, a paciente vem recebendo acompanhamento de profissionais de diferentes áreas, incluindo fisioterapia, enfermagem e fonoaudiologia, fundamentais para a recuperação e a reabilitação. “O fígado foi transplantado com sucesso e, atualmente, ela já não apresenta doença hepática. Segue em recuperação e reabilitação para que, em breve, consiga voltar para casa”, destacou a coordenadora.
Avanço
Para o diretor-geral do Hospital Dr. Carlos Macieira, Edilson Medeiros Júnior, a realização do transplante hepático de urgência representa a concretização de um trabalho iniciado para ampliar o acesso da população a procedimentos de alta complexidade na rede pública estadual.
“Em dezembro de 2024, o Hospital Dr. Carlos Macieira deu os primeiros passos no transplante hepático com o objetivo principal de chegar ao momento em que fosse necessário realizar um transplante de emergência. Isso foi recentemente realizado com sucesso. Buscamos soluções para patologias que antigamente eram impossíveis de tratar e que agora têm tratamento na rede de saúde pública estadual”, afirmou.
A realização do procedimento reforça a capacidade do HCM de atender pacientes em condições clínicas graves, que necessitam de intervenções especializadas e de uma estrutura hospitalar preparada para oferecer assistência integral.
Em dezembro de 2024, o Hospital Dr. Carlos Macieira foi habilitado pelo Ministério da Saúde para realizar transplantes de rim e fígado, por meio da Portaria SAES/MS nº 2.363.
A unidade também conquistou os selos “UTI Eficiente” e “Segurança do Paciente”, além da certificação “Nível 3 – Acreditado com Excelência”, concedida pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Com isso, se tornou o primeiro hospital público do Maranhão e o nono da Região Nordeste a alcançar o nível máximo de acreditação em saúde no país.


































