
Governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB) destinou R$64,9 milhões em transferências fundo a fundo para municípios comandados por prefeitos aliados. O montante foi depositado nos cofres das prefeituras à véspera do período vedado pela Justiça Eleitoral para repasses voluntários entre entes federativos.
Entre os dias 13 de junho e 1 de julho, ao todo, foram realizados 56 repasses do Fundo Estadual de Saúde diretamente à conta bancária das prefeituras. Os custeios variam entre 400 mil reais e 2,5 milhões. Na maioria, as cidades contempladas são administradas por apoiadores da reeleição de Brandão. Os valores seriam referentes ao pagamento de emendas impositivas, fruto de indicação de deputados estaduais aliados.

Pedro do Rosário, administrada pelo ex-deputado Toca Serra (PCdoB), é a campeã do fundo a fundo, beneficiada com 4,8 milhões em recursos extras. Além dela, Parnarama, Açailândia, Timbiras e Santa Inês também foram contempladas com repasses da Secretaria de Saúde do Maranhão acima dos 2,5 milhões.
No ranking das dez maiores beneficiadas com fundo a fundo, estão Colinas, Grajaú, Barreirinhas, Arame e Matinha. Em comum, além de receberem repasses na casa dos 2 milhões, são municípios comandados por prefeitos que apoiam as pré-candidaturas de Flávio Dino e de deputados ligados e aliados ao atual governo.
Após publicação de reportagem Farra Ilimitada, responsável por noticiar que o orçamento secreto seria instrumento criado pelo governo de Jair Bolsonaro para comprar apoio parlamentar no Congresso, publicada na edição de julho da Revista Piauí, aliados do Palácio dos Leões comemoraram a menção à políticos adversários de Carlos Brandão. Contudo, chama a atenção o silêncio dos porta-vozes governistas em relação ao derrame de dinheiro público patrocinado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), por intermédio de Tiago Fernandes (PP), um advogado que adentrou recentemente na política como “preposto” do ex-prefeito Luís Fernando Silva (PSDB).
Verdade é que a farra com recursos da saúde acontece com a aprovação silenciosa dos órgãos de controle estaduais, tais como o Ministério Público do Maranhão e o Tribunal de Contas do Estado. Mas a Polícia Federal está de olho…